30 de jun de 2017

A morte da guitarra elétrica

Na semana passada (22/06/2017) o jornal americano Washington Post publicou uma matéria muito interessante, preocupante (e porque não dizer polêmica) intitulada "A morte da guitarra elétrica", sobre o mal momento atual do mercado da guitarra no mundo e os possíveis motivos dessa forte queda nas vendas.


- Mercado em problemas

Segundo George Gruhn, famoso vendedor de guitarras de Nashville e que já vendeu guitarras para Eric Clapton, Neil Young e Paul McCartney, vê o grande aumento do número de fabricantes como dois trens em rota de colisão.

"Existem mais fabricantes do que nunca na história do instrumento mas o mercado não está crescendo. Não sou todo pessimismo mas isso é insustentável."

E os números o apoiam. Na última década, as vendas de guitarras elétricas caíram de cerca de 1,5 milhão de unidades vendidas anualmente para pouco mais de 1 milhão. As duas maiores empresas, Gibson e Fender estão em dívidas e a PRS Guitars teve que cortar funcionários e expandir a produção de guitarras mais baratas. A Guitar Center, outro gigante do ramo de instrumentos musicais e maior varejista do planeta, enfrenta uma dívida de 1,6 bilhão de dólares. 

Segundo George Gruhn não é simplesmente a queda dos lucros e sim o real motivo por trás disso. Quando ele abriu sua loja há 46 anos atrás, todos queriam ser um Deus da guitarra, inspirados por Eric Clapton, Jeff Beck, Jimi Hendrix etc. As gerações atuais não estão interessadas em substituir esses caras. "O que precisamos são Guitars Heroes" diz ele.

A musica atual é eletrônica e a guitarra perdeu seu protagonismo. A guitarra deixou também de aparecer em filmes e estar nas mãos de estrelas da tv como por exemplo no filme "De volta para o futuro", onde o protagonista do filme tocava guitarra.

Marty McFly com sua Ibanez Roadstar no filme "De volta para o futuro"

Richard Ash, chefe executivo da Sam Ash, a maior cadeia de lojas de musica de propriedade familiar dos EUA não tem medo de dizer o óbvio.

"Nossos clientes estão ficando mais velhos e irão-se embora em breve."

Parede dos sonhos de todo guitarrista. Sam Ash, EUA

À partir de 2010 a industria testemunhou algo impensável na época de ouro da guitarra. Os modelos acústicos passaram a vender mais que os elétricos.

- Luz no Fim do Túnel

Para Andy Mooney, diretor executivo da Fender, a morte da guitarra elétrica é um exagero.

Segundo ele, a empresa tem uma estratégia para conseguir mais principiantes que em seguida abandonarão seus instrumentos em 1 ano. Em julho a companhia lançará um serviço que mudará a forma de aprender a tocar guitarra baseado em ferramentas online.

Para Paul Reed Smith, criador da PRS, a industria está se recuperando da forte crise de 2009 que golpeou o mercado. 

Uma empresa da Flórida chamada "The Music Experience" tem recrutado fabricantes para colocar guitarras à mostra em festivais para que as pessoas possam testá-las. Existem também mais de 200 "escolas de Rock" espalhadas pelos EUA com intuito de incentivar que mais jovens queiram estar com um instrumento nas mãos.

Qual será o futuro da guitarra elétrica ? Deixe seu comentário e até a próxima !